Literatura, teatro e cinema em debate na praia de Porto de Galinhas

A cineasta Kátia Mesel mediou uma conversa entre as atrizes e autoras Maria Zilda e Claudia Alencar. Mais conhecidas por seus trabalhos na televisão, as atrizes investem também em experiências na poesia e na ficção

Oferecendo um panorama de sua carreira, Maria Zilda falou sobre como a transição de atriz em produções menores, para produtora de teatro e cinema e, eventualmente, experimentação no campo da literatura. Um espetáculo de teatro escrito por ela e dirigido por Ítalo Rossie está em processo de adaptação para livro. A atriz lembrou de um conselho que recebeu do escritor João Ubaldo Ribeiro, que recomendou o exercício diário e compulsivo da escrita como a melhor maneira de condicionar o hábito. Zilda confessou ainda sentir muita dificuldade nessa área, diferente da atuação, e comentou que funciona melhor quando escreve “coisas desconexas e depois faz as conexões que parecem mais cabíveis”. Ela complementou ainda, dizendo que “as atrizes só escrevem o que vivem, e o que vivem é amor, a paixão, o tesão pelo texto; nós somos movidas a amor”.

Claudia Alencar iniciou sua fala lamentando a “perda da palavra”. A poeta criticou a falta de suporte do governo às questões da educação, que retira da população o direito a se expressar corretamente. Comentando seu processo criativo, Claudia falou sobre os diários que mantêm desde os 13 anos, quando buscou na escrita uma fuga de seu seio familiar problemático. Ao rever os escritos, começou a se sensibilizar e buscar inspirações na vida cotidiana. Claudia disse ainda que “a arte salva; escrevo apenas para me salvar, é como uma meditação”. Quando questionada sobre sua visão quanto aos movimentos feministas, a atriz disse que não acredita na palavra empoderamento. “Poder é uma coisa masculina, a mulher tem amor”, complementou.

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