Brasil e Portugal na poesia contemporânea

A poeta portuguesa Maria João Cantinho conversou com Maria de Lourdes Hortas, portuguesa radicada em Pernambuco, sobre os encontros entre a poesia dos dois países.

Cantinho falou sobre a diversificação que o século 21 trouxe para o panorama português. Antes um espaço muito mais hegemônico e limitado à uma poetização da melancolia, os novos autores e autoras fortaleceram a cena, ainda que o formalismo exacerbado e cerebral siga como o mais evidente dos filões.

Já Hortas, que voltou a Portugal nos anos 60 para radiografar a então emergente e política cena poética, tendo entrevistado inclusive nomes como Sophia de Mello Breyner Andresen e Eugenio de Andrade, dissocia os movimentos portugueses dos brasileiros, estes que a época eram majoritariamente marginais e revoltosos. Hortas inclusive marca esse momento como único no panorama brasileiro e não encontra nenhum paralelo no cenário atual.

Já Cantinho compara a atual geração dos dois países a partir de um ponto de vista mais geral. “Acredito que o nosso tempo é o mesmo. Isso marca uma geração. Lemos os mesmos autores, temos referências parecidas, ainda que o brasileiro se sinta muito mais livre para ousar”, declarou.

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