Cássio Cavalcante e Maria de Lourdes Hortas debatem na Fliporto

O jornalista e escritor Cássio Cavalcante apresentou, na companhia da poetisa Maria de Lourdes Hortas, uma palestra sobre a perseguição sofrida pela literatura ao longo da história da humanidade.

Também curador da edição atual da Feira, Cássio propôs um abrangente panorama que toca em momentos de censura e violência contra o pensamento. Usando exemplos, como as tumultuadas carreiras de Reinaldo Arenas e Émile Zola, o escritor defende a ideia do “autor como formador de opinião e não como doutrinador” e reaviva a importância da literatura como instrumento básico de instrução e criação de consciência.

A poetisa Maria de Lourdes comentou que a perseguição não necessariamente tem cunho político e citou Luís de Camões, que vivia na corte portuguesa no século 16 e tinha grande fama de galanteador. Por conta de suas aventuras amorosas, teve suas obras cerceadas e se viu exilado. Foi também citada a censura contra Florbela Espanca, que teve sua obra minimizada e censurada por conta não apenas de seu gênero, mas por sua abordagem intensa, que destoava da literatura leve popularizada à época.

Após um questionamento da plateia, os escritores comentaram ainda sobre a noção de que a literatura urgente e feita em momentos de crise e tensão, termina por ganhar um peso diferente. “Seja qual tipo de pressão for, as emoções ficam a flor da pele e escrevo melhor”, diz Cássio.

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